O meu tempo voa, acho que acabo até por nem conhecer os dias; sou capaz
de sentir aquela paz de alma apenas quando o silêncio chega. Ai ouço o
meu coração bater e tenho a certeza que ainda vivo. Porém, o fantasma
atormenta-me mais uma vez. Volto a ouvir aquela voz e a sentir aquele
arrepio de medo; não consigo fugir dele. Ás vezes nem tento, deixo-o o
falar e ouço. Ouço as memórias do passado, as coisas que vivi e tentei
deixar para trás.
No meio de tantas
palavras, volto a encontrar-te. Na verdade eu não te esqueci e a dor é a
mesma, a necessidade da tua presença continua como antes e as lágrimas
caem; diminuem o palpitar do coração e por momentos sinto-me a
desfalecer. Tenho pena de não ter sido a última pessoa a ver-te sorrir,
de não ter tido coragem para te dizer o quanto gostava e precisava de
ti. Só espero que me ouças e que cada lágrima largada seja limpa por ti,
avô.
